
Hoje me disseram que eu pareço uma idiota ao seu lado e sou obrigada a concordar, a verdade é que perto de você não sei controlar meus atos, pareço uma tola tentando lhe fazer rir para apenas ver por um segundo que eu ainda sou o motivo do seu sorriso, queria saber se o seu coração também dispara quando estamos juntos. Perdi a conta de quantas vezes me peguei pensando em você, fico me perguntando se você pensa em mim assim como eu penso em você, se fica lembrando-se de tudo o que vivemos um dia, como eu fico. Ontem você chamou sua nova namorada de ‘minha vida’ na minha frente, aquilo doeu de uma forma tão exagerada, de uma forma tão intensa que… Há meses atrás eu era a sua vida, e não ela. Nós demoramos tanto tempo para construir algo juntos e tudo se foi embora tão rápido. Deixa-me dizer, me deixa gritar que sinto a sua falta pra todo mundo ouvir, me deixa tentar te fazer feliz novamente, deixa eu te abraçar e não soltar nunca mais. Eu necessito do seu abraço, aquele que era meu único consolo e conforto, o gosto dos seus beijos ficou marcado em meu coração, meus lábios gritam pelos teus. Tantas lembranças difíceis de apagar da memória, pra você tudo parece tão fácil, pra você parece tão fácil olhar em meus olhos como se nada tivesse acontecido, sei que teve um fim e foi por minha causa, agi como uma completa idiota, só queria ter uma chance de reparar todo o meu erro.
(Quando começar a cantar, leia)
Nossos passos seguem para o mesmo destino, temos os mesmos sonhos, um filho, uma casa na praia, terminar a faculdade… São tantas vontades em comum que poderiam ser realizadas, juntas. O único problema é que você não está segurando em minhas mãos para me ajudar a percorrer esse longo caminho. Eu aqui, e você lá. Será que tu sabes o que é chorar por querer tanto esquecer e não conseguir? Tu sabes o que é gritar por não aguentar mais tanto sentimento dentro de um coração só? Fico me perguntando, por que pra mim é tão dificil e pra você parece ser tão simples, tão fácil, esquecer, não se importar… Seus lábios tocavam a ponta da minha orelha, sua voz que era a mais linda melodia, sussurrava em meu ouvindo dizendo “tu és minha vida, minha vida”. Hoje só vejo desprezo em seus olhos, minhas tentativas de aproximação são em vão. Eu só preciso olhar novamente em seus olhos e procurar pelo nosso amor, se é que ele ainda existe em você. Ver-te todos os dias e não poder lhe abraçar, isso é o que me mata, aos poucos. Sinto como se estivesse no meio de uma tempestade, você solta das minhas mãos e vai embora, eu tenho lhe procurar, mais não encontro, e é como se eu tivesse a necessidade da sua proteção, encontrar você pra dizer que eu tenho medo do escuro, que tenho medo do barulho do vento, que tenho medo de ficar sem ti e que só me sinto segura, com você. As coisas parecem ser assim, o tempo todo.
(Quando começar a cantar, leia)
Estávamos ali. Eu e você. Não poderíamos adiar nem atrasar a conversa. Era para ser. Já fazia tempo e sempre desviávamos. Dessa vez não tinha escapatória. Havíamos entrado num beco sem saída. A sacada maldita que tinha apenas a função de me fazer respirar, só me deixou sem ar. Pude sentir sua boca se aproximar da minha e prendi-me pela respiração ofegante que saia dela. Você estendeu a mão convidativa indicando a dançarmos. Era para ser um pedido, mas soou como se já soubesse que eu aceitaria. Uma pergunta contraditória em silêncio. Varias frases poderiam ser ditas naquele momento, mas por que e para que interromper? Se não me falha a memória, suas mãos estavam em minha cintura. A máscara em seu rosto se cruzava entre meus olhos pecaminosos. Fechei-os e esperei ser conduzida. Eram passos que eu podia afirmar ter tocado o céu, e voltado. Repetidas vezes. Senti meu coração tremer, novamente. O ritmo acelerou. Tão distraída não percebi minha perda. O rímel borrou e a lágrima escorreu. Abri meus olhos e vi os seus cheios delas presas. Sua mão direita segurava a minha com a força de quem precisara proteger. Por que você voltou? Por que você teve de ir? E por que não disse nada? Nem um “adeus”, nem um “até mais”? Por que simplesmente… Perdeu-se? Ou fez-me me perder? Por que nos perdemos? Por quê? Era para sermos as respostas e não as perguntas. Era. Mas não somos. Somos o que por aí chamam de sem solução. O tempo nos tornou assim, ou talvez, tenhamos nos tornado dessa maneira sem precisar do tempo. A música estava para acabar, mas ainda entornava meus ouvidos e a lembrança do seu sorriso ainda embriagava meus pensamentos. Era quase fim de música, quase fim da nossa história, quase fim do que a tempos era “nós”, quase fim do que por tanto lutamos, mesmo que em momentos diferentes, mesmo que em desencontros. E ainda pior do que o nosso quase fim, era o quase fim do nosso amor. Porque eu poderia aguentar o fim, mas não o quase. Pois quem quase morreu ainda vive, e quem quase viveu, não vive mais. Fim de música. Você me desprendeu do universo paralelo e me fez voltar à realidade com apenas um “Adeus” sussurrado em meu ouvido. Eu já sabia, não sabia? Então por que fiquei tão surpresa? Ainda que o choro fosse perceptível, pude apenas recitar “Até mais”, afinal… Eu voltaria a te encontrar no lugar que você nunca se foi: Em meus sonhos.
— Bella